30.4.07

Sem grana, mas com skype


A grana da minha primeira bolsa caiu na sexta passada e...Sumiu! Tudo bem, eu fiz duas loucuras: um dicionário eletrônico com canetinha para escrever os kanjis e um soundock tudo de bom para ouvir o meu IPOD. Sound dock, antes que alguém pergunte, é uma caixa de som na qual você encaixa a bundinha do mp3 player. O preço desse negócio não costuma ser muito alto. O problema é que eu quis um da Bose, que me faz lembrar um amigo do colegial, o Stephen.

O Stephen (pronuncia-se como "Steven") era um loiro nerd evangélico de cara séria que adorava coisas eletrônicas e tudo mais. Duas das marcas favoritas dele eram Bosch, para eletrdomésticos, e Bose para caixas de som. Quando a gente ia no shopping, o menino entrava em todas as lojas do tipo Ponto Frio para ver quanto custavam os apetrechos dessas marcas. E aí ele ficava um tempão falando sobre por que elas eram as melhores. Era chato demais, claro, mas os ensinamentos dele permanecem até hoje na minha cabeça, e eis-me aqui gastando milhares de ienes numa caixinha da Bose. Mas que o som é bom, é. Dá para ouvir Cher, Beethoven e She Wants Revenge no último volume e acordar até o imperador, que mora do outro lado de Tokyo.

O melhor de tudo é que esta semana é Golden Week, um megaferiadão sem aula, e eu estou sem grana. Melhor??? Sim, claro! Porque eu não tenho como fazer porra nenhuma na rua e vou ficar o tempo todo estudando para a prova. E falando com todo mundo pelo skype, que é mesmo uma invenção divina. Divindade japa, é claro, porque no Brasil não tem deus chique e tecnológico, não. Só aquele monte de santo pobre, Santo Expedito, Santa Joana, São Pedro...Cruz credo. No Japão, tem mais de 8 milhões de deuses, todos bem mais chiques, e tenho certeza que foi um deles que inventou o skype. Por 25 reais, eu falo umas 5 horas de boa com os telefones fixos. Isso é legal demais!

Ah, e olha um vídeo de mim e meus amiguinhos num bar em Roppongi. A música é samba eletrônico e a letra é em português. É neste bar que trabalha a Paulete.


Nesta balada, tinha um grupo de japas muito agressor. Uma menina, vestida com menos roupa que aquelas negas do funk, tentava abaixar a calça dos amigos. Um japa gordo de cabelo espetado foi o primeiro a abaixar e mostrar a bunda. O segundo foi esse gringo da foto lá em cima.

28.4.07

Ouvindo

http://www.youtube.com/watch?v=Em2Oal-ue34
Todo ano, uma música de sakura faz sucesso. A deste ano é CHERRY, da Yui.

http://www.youtube.com/watch?v=5BIm8jcfWog
Não consigo tirar essa música da cabeça.

A casa coreana caiu

Reunião na sala do meu orientador na terça. Presentes: 5 coreanos, dois japoneses que falam coreano, uma chinesa que fala coreano, um australiano, uma brasileira que namora um coreano e eu. Ah, e o orientador é filho de coreanos.

A reunião é inteira em japonês, eu não entendo metade, mas dá para perceber que a casa caiu. É o seguinte: na área do meu orientador, que é sociologia da informação, a prova de mestrado é inteira em japonês, perguntas e respostas. E eu tenho que ler três livros em japonês até agosto para poder passar.

Para piorar, na semana que vem, tenho que fazer uma apresentação sobre a minha pesquisa e explicar pq quis estudar na Toudai. E aí, eu digo o q? Que vim para cá influenciado por um desenho chamado Love Hina?

E mais difícil que tudo isso: como decorar os nomes de tantos coreanos? E tem chinês com nome em coreano tb, e aí tem duas leituras diferentes. Toda vez q eu vou falar com eles, começo a chutar vários nomes. Se falar Sun, Yun ou Bin, é 80% de chance de acertar. Mas a verdade é que eles são BEM mais legais que os japas, pq são espontâneos, não parecem robôs. Os japas parecem ter um software de comportamento que deixa todo mundo igual, é que nem no The Sims. Já os coreanos, não. Eles falam mal dos outros, sabem fazer piada, entendem ironia. Não é à toa que só de olhar para a pessoa dá para saber se é coreana ou japa: os japas parecem bonecos, os coreanos são de verdade.

A parte boa é que a gente vai viajar em setembro pra Hokkaido, numa viagem de integração. E eu sempre quis ir pra Hokkaido! E meu sensei é famoso mesmo: dia desses, uma velhinha pediu para minha amiga pegar autógrafo dele. O cara tem um monte de livro publicado e, na capa de um, tem um texto escrito com a letra dele, numa coisa meio fetiche. Cool.

Ah, e nesta semana veio aqui o Jonathan me visitar. Foi legal, a gente riu dos japas e ele tirou umas fotos legais com a super Nikon que comprou aqui. Assim q ele voltar pro Brasil (agora tá na Coréia), eu posto as fotos.

Por último, 4 metas gastronômicas para o próximo ano: comer carne de baleia (só um pouco, pq é um assunto polêmico), enguia (todo mdo adora), canguru (a melhor do mundo, segundo um australiano) e sopa de cachorro (que está caindo em desuso na Coréia, pq as mulheres e os jovens não querem mais).

24.4.07

Mais fotos

Fotos do churrasco brasileiro do domingo. Tem eu.

http://picasaweb.google.co.jp/reneabritta/ChurrascoBrasileiros20070422?authkey=Ej5A4qs6JHY

Foi uma confusão...Pouca carne para muita gente, pessoas cortando a fila no melhor estilo brasileiro, só agressão. Tinha dois japas lá que ficaram pasmos com a selvageria nossa. E eu fiquei muito bêbado e...Nada demais, claro, pq aqui é Japão.

22.4.07

Múltiplas

De volta ao Pacífico
Tokyo, assim como São Paulo, não tem céu. Não tem estrelas, lua, nada. Você olha para todos os lados e só vê prédios, casas, luzes, e quase dá para pensar que o mundo é só isso mesmo. Por isso, um passeio como o que eu fiz hoje fica tão legal. Eu, Erin e um amigo dela (o Takashi, um dekassegui do Pará) fomos passear no Tokyo Aqua Line, um posto (que nem o Graal) em forma de navio que fica no meio de um túnel submarino. O lugar tem vários andares e imita um navio – na “proa”, fica o mirante de onde dá para ver o mar e a cidade inteira ao longe.
O vento, o mar, o céu. Juntos, esses três me põem melancólico pra cacete. E nem o cachecol roxo ultramegaviado que eu peguei emprestado para fugir do frio conseguiu quebrar a nostalgia das águas atlânticas. Mas devo dizer que, pior que isso, foi ver a cidade de Tokyo de cima da Rainbow Bridge, no caminho de volta (nós fomos de carro, com um daqueles computadores de bordo moderníssimos). Para quem gosta de cidade grande, a paisagem vista de lá é uma das mais bonitas que se pode ter. Diante dela, o sentimento de “lost in translation” se torna mais forte que tudo.

Tokyo Midtown
1ª versão – a da minha imaginação

Eu e Erin fomos ao Tokyo Midtown, um conglomerado de lojas caras e chiques que humilha qualquer Shoppping Iguatemi. É um prédio gigantesco, que começa no metrô e termina dezenas de andares acima da terra. Chiquérrimos, nós desfilamos por lá e visitamos as lojas com produtos assinados pelos designers mais famosos, boa parte deles simbolizando os mais altos sonhos de consumo mundiais. Passamos pelas lojas mais caras, fizemos carão para as vendedoras e, no final do passeio, eu comprei água perrier e muffin de blueberry com cream cheese na XX & De Luca, uma mercearia importada de Nova York direto para o Japão.

2ª versão – a triste verdade
Eu e Erin fomos ao Tokyo Midtown, um conglomerado de lojas caras e chiques que humilha qualquer Shoppping Iguatemi. É um prédio gigantesco, que começa no metrô e termina dezenas de andares acima da terra. Sem dinheiro para comprar nem uma meia, nós entramos nas lojas mais caras e quase caímos para trás com os preços: os vestidos, por exemplo, custavam em média 2000 reais para cima. Muitos dos produtos eram legais, mas boa parte deles parecia saído da 25 de março, só que com preço 50 vezes maior. Aliás, não era só isso que lembrava a famosa rua paulistana. A quantidade sem-noção de pessoas na lojas – algumas até com fila para entrar – era sem dúvida nenhuma igual à muvuca da 25. Como a gente não podia comprar nada, a solução foi apelar para o que tinha de mais barato por lá. Erin pegou um sanduíche pobre no supermercado e eu comprei o que tinha de menos caro no armazém americano: um muffin. E a tal água perrier era com gás, que eu odeio.

Aulas
As aulas de japonês começaram na sexta. Elas serão quatro vezes por semana, 1h40 por dia. Eu fui parar no nível 4, que é o segundo mais alto, o que é ridículo tendo em vista que eu não sei nada de japonês. O bom é que o resto da classe também não sabe – na primeira aula, ninguém sabia palavra nenhuma e um tinha sotaque pior que o outro.
Quanto à prova de mestrado, ela será em agosto, com perguntas em japonês e possibilidade de resposta em inglês. Eu baixei da internet e não consegui entender nenhuma pergunta. Pior: ninguém sabe se tem bibliografia para estudar, e o professor mais uma vez sumiu do mapa. Enquanto isso, o pessoal de exatas tem laboratório, orientador e tutor, e mais de 70% das aulas em inglês. Além da prova, que também é em inglês. Pode? O bom é que, por causa do curso, eu descobri que os tailandeses são muito legais. Quero ir para lá agora, pois dizem os nativos que tudo é muito barato. A viagem, pelo menos, sai por menos de 700 reais para ficar uma semana. Ah, e eu estou pensando em ser monitor de um acampamento de adolescentes japas no verão. Dá grana e é só por três dias. Além disso, tem um programa que pega alunos estrangeiros para ir a umas escolas japas falar sobre a cultura do país de origem. Quero fazer parte desse também. Isso sem falar de um grupo que leva alunos estrangeiros para passear e de um outro que arranja japas para ficar conversando com a gente por 3 horas toda semana. Me inscrevi nesses dois também.

Por último...
Apesar da falta de perspectivas por aqui, de vez em quando eu encontro uns seres interessantes vagando pelo mundo. Na sexta eu fui ver uma aula de aikidô e encontrei um broto do Sri Lanka excelente. Não deu para falar com ele, pois tinha toda uma galera do Sri Lanka junto. Mas quem sabe no futuro...

17.4.07

Correção

Meu celular é 81-90-8510-5616.

16.4.07

E meu Flickr

Agora tenho um Flickr.
www.flickr.com/photos/tokyo4losers

Corvos, comida e Harajuku

Eu sei que o Japão é bizarro. Mas tem momentos em que isso passa dos limites.

Para começar, os corvos. Eles estão em toda parte, são pretos, enormes, e gritam como se estivessem sempre prontos para avançar em vc e arrancar um naco do seu pescoço. É freqüente eu acordar com o barulho deles no ouvido. Dia desses, um menino daqui foi tomar banho e, quando voltou, tinha um corvão esperando atenciosamente na sacada da varanda. Se não tivesse fechado a janela a tempo, o bicho teria invadido o quarto e feito sabe se lá o quê. Dizem que é assim: bobeou, o corvo entrou. Às vezes, quando estou só eu e eles na rua, me sinto um pouco como nas terras do Scar depois do Mufasa morrer. Tenebroso.

As comidas também conseguem ser bem estranhas, às vezes. Em Shibuya tem um lugar chamado Food Show, que faz perfeito jus ao nome. Imagine várias barracas num supermercado de shopping vendendo coisas caras e esquisitas. Adicione à cena uma turba louca de japas comprando desesperadamente às 18h de uma sexta-feira. Foi isso que eu presenciei na semana passada, e eu queria ter lá comigo uma enciclopédia para saber o que eram aqueles coisos todos. Tinha uns legumes grandões com missô em volta, para a vendedora cortar os pedaços na hora da venda e colocar em bandejas para os clientes. Curry de língua de boi, nigirisushis de fubu (quem viu nos Simpsons?) e carne de baleia também estavam lá para esgotar toda a saliva da minha boca. Para não passar vontade, passei na parte de chocolate e escolhi bem grande. Tinha de vários países – Equador, Gana, Porto Rico e mais uns outros lá. Peguei um belga, numa embalagem superbonita, e paguei uns 5 reais. Ah, e um pedação de queijo gouda, esse por 8 reais. Em São Paulo, essa mesma compra ia dar por certo uns 25 reais.

Bizarro também é este homem cantando na rua, que a gente encontrou em Shinjuku, no sábado. Ele tá anunciando uma liquidação de óculos e afins.


E esse cruzamento em Shibuya, pelo qual eu passo quase sempre, está sempre desse jeito:

Estranho as well.

Por último, o muito freak – e legal demais – bairro de Harajuku. Lá é onde os jovens se encontram para comprar roupas, passear e desfilar suas criações estéticas. Eu comprei um cinto, uma blusa e uma camiseta, que são o início do meu projeto de me vestir como os japoneses. Depois de lá, fica um lugar incrível: na frente da faculdade de música de Tokyo, inúmeras bandas de rock ficam tentando mostrar seu talento no meio da calçada, num espaço de 500 m mais ou menos. Uma ao lado da outra toca músicas próprias, sem pedir um centavo. Eu encontrei uma bem legal, e o vídeo está aqui.

15.4.07

Endereço e celular

Ok, primeiro de tudo, agora eu sou uma pessoa acessável.
Meu endereço:

4-6-29 K714 Komaba, Meguro-ku, Tokyo 153-0041,
The University of Tokyo, International Komaba Lodge, JAPAN

e meu celular: 81-090-8510-5616

Me tornei um homem completo, tenho computador e celular. No mês q vem, vou ter internet no quarto, daí providenciarei um skype.





Ok, fotos, finalmente. Não são minhas, é fato. Mas eu vou pegá-las emprestadas do blog do Ben, um amiguinho legal q eu fiz por aqui. Aí ao lado é o quarto. Não é o meu, mas é igualzinho a esse. Em cima, é o lobby do lodge onde eu moro. É aí onde eu acesso a internet. Costumo dizer q é o nosso Central Perk, igual do Friends, pq é neste local q tdo mdo se encontra e se conhece. A rua florida é aquela pela qual eu passo todo dia, logo em frente à estação e ao campus. Foi assim q eu a encontrei qdo cheguei, tda cheia de sakuras. Por último, o banheiro, q tá na horizontal pq eu não consegui mudar a rotação da foto.

10.4.07

Lost in translation...and everything else

Primeiros dias só têm gafe e bola fora, é claro. A agressão chegou ao Japão! Para resumir, algumas cenas.

1. O broto da sexta, o Hiroshi, é um japa que não gosta do Japão. Ele quer falar inglês a todo custo e ficou 6 meses na Austrália dando duro para ver se consegue se livrar das raízes. Óbvio que, como todo bom japonês, ele não teve sucesso. Mas dá para conversar com ele numa boa na língua do Bush. Nós nos encontramos no começo da noite e ele me levou a um bar em Shinjuku, região de Nichome, que é, digamos, a Consô japa. 200 bares e baladas GLS fazem a maior concentração gay do mundo, com público bem diferente daquele que se vê na semelhante paulistana: em vez dos emos e adolescentes recém-saídos do armário, estrangeiros, jovens com 20 e poucos e tiozões doidos para pagar bebidas aos mocinhos. E eu, sem saber de nada, fuilevado lá para curtir o frio de 10 graus que anda fazendo nas noites daqui. Fomos a dois bares e uma balada, eu, o Hiro e mais um amigo dele, um ser sorridente com cara de raposa que não fala nada em inglês, exceção feita a palavras como "Beyoncé", "Britney" e "Pussycat Dolls". Hora de entrada na balada: 9 da noite. Lotadaça! Espaço pequeno, com muitos estrangeiros e gente dos mais diversos estilos (será q era assim a balada de Campinas?). Ninguém dançando, ninguém beijando. Meus amiguinhos, então, resolveram apavorar o lugar. Subiram no palquinho e me levaram junto, e lá fizemos uma linda performance (eles mais q eu) com danças BEM apimentadas. O cara de raposa era mto legal, e com ele eu consegui, provavelmente, bater o primeiro papo inteiramente em japonês da minha vida. O apelido dele é Momo (mto fofo, significa pêssego) me disse que ativo, no japão, é TACHI (o mesmo que stand) e NEKO (gato) é passivo. Gays são todos iguais, mesmo, seja onde for.

2. "Soro soro, sekuhara desu yo!". Sekuhara é a forma curta de Sexual Harassment, uma grande preocupação dos japoneses hoje em dia. Essa frase aí é o slogan de uma campanha que estão fazendo aqui na Toudai para diminuir a bolinação das japas e significa "mais um pouco, vira assédio sexual". Eu estou com vontade de virar o rei do sekuhara. Essas estrangeiras - não só as japas, como as indonésias, as malásias, as australianas, as russas...- têm cara de frígidas que não fazem sexo desde que nasceram em seus países estranhos. E isso me dá vontade de fazer sekuhara, para ver se elas acordam para o mundo. É meu lado brasileiro aflorando, o sangue do carnaval e do axé assumindo vontades messiânicas de pôr sorrisos maliciosos na boca dessas negas todas. Ok, isso é só uma divagação, visto que na prática elas ainda continuam sem o cromossomo Y, portanto, desinteressantes.

3. Falando em estrangeiros, eu resolvi assumir um jeito Gasparzinho de ser. Apareceu alguém na minha frente, é estrangeiro, eu puxo papo. Com isso, já perdi a conta de conhecidos novos que fiz. E o pior é que eu sempre acabo falando alguma agressão para eles, sem querer. Confundo os nomes, os países, vou fazer uma brincadeira e eles não entendem. Tento agradar e...Bem, entre as pessoas mais interessantes, estão:

a. Sulivan, um alemão que eu encontrei num Pub e está aqui para atuar no mercado de moda. Não, aqui e na Alemanha, não precisa ser gay para trabalhar nisso. O menino tem 23 anos e começou a tremer quando eu puxei papo com ele. Mas não demorou para colocar em prática um dos superpoderes que os estrangeiros adquirem por aqui: a verborragia mortal. Minha tese é: como não tem ngm para falar inglês, quando eles acham alguém, começam a falar como se fosse a última vez na vida. Com o Sulivan, eu aprendi que na Alemanha as pessoas se atrasam nos compromissos em até 10 minutos e que o povo adora roubar coisas nas lojas. "Perto do Japão, lá é tudo muito errado e desorganizado", disse o garoto. Ai, se ele visitasse o Brasil...

b. Bean, um neozelandês bonitíssimo e extremamente simpático que me passou o celular sem eu nem pedir. Ok, ele só quer amigos. Mas só a emoção de ter um dele querendo falar comigo já é bão demais.

c. Tandra, uma "indonésia" que usa véu na cabeça e sempre vem puxar papo junto com uma "malásia", a Sam, que também veste o véu. Eu nunca tinha conversado com mulheres de véu na cabeça.

d. Paulo, um português com cara de jogador de futebol americano que, na verdade, é um nerd de raiz. 29 anos, tem fome sempre e não pára de falar um segundo. Ele é grandão e não fala NADA de japonês, então fica querendo a todo tempo querendo sair conosco, brasileiros simpáticos e solícitos. O problema é que basta eu ouvir o sotaque para associar às piadas de portugas e começar a dar risada do nada.
Com o Paulo, eu aprendi que Portugal é quase que nem o Brasil, exceto por eles serem mais ricos e morarem na Europa. Ah, e eles usam aquelas palavras engraçadas. Quem pode ser tosco a ponto de falar "malta" para "galera", "paneleiros" para gays e "comboio" para trem???

4. Ontem, andando em Shibuya, um dos bairros mais famosos por aqui, encontrei alguns locais ótimos.
a) A Condomania (o Luiz tinha me falado dessa) é uma loja de camisinhas para todos os gostos. Tem até do Picachu. Mas o melhor são umas chupetas taiwanesas com formato de pau. Chamam-se "women relief". hehehehe.
b) Standing sushibar, em que vc não senta pra comer e por isso paga mais barato. Eu me acabei...
c) Sex Shop bizarra, que tem uma placa logo na frente anunciando o que vende lá dentro, cada qual com um desenhinho do lado. Até aí nada demais, exceto pelo último item da lista: DRUGS. Do lado, o desenho de um cogumelo. A Eliza tirou foto disso, assim que ele me passar, eu posto aqui.

Ok, tem milhões de coisas mais para contar. Mas eu já cansei de escrever e vcs, de ler. Fica pra próxima! Mais duas semanas e eu já devo estar com meu celular (nunca tive tanto trabalho pra comprar algo, nem o bonequinho do Seiya) e um notebook. Meu celular, invejem, manda e-mail com...Vídeo! Fora q dá para assistir TV nele, pagar o passe do metrô e comprar bebida nas 200 milhões de máquinas q tem nas ruas (para quem me zuava: eles entendem qdo eu falo JIDOUHANBAIKI, viu!!!).

6.4.07

Onde tudo começa

Demorou, mas eu consegui um computador para escrever. Estou aqui no laboratório de informática da Toudai, a minha faculdade, pois no alojamento só dá pra utilizar o próprio equipamento. Como este é o primeiro post do blog, vou ter q ser mais detalhista com tudo...Até pra aproveitar q tdo mdo ainda se lembra de mim, né.

Vamos lá...
A viagem foi enorme, minhas pernas não cabiam direito naquelas poltronas malditas. Mas a comida da JAL é boa demais, tinha até sushi. E, na conexão em NY, eu resolvi comprar um muffin apenas para marcar território. Cara, era o maior muffin do mundo! Com certeza foi o momento mais marcante daquelas 25 horas - o susto q eu tomei qdo vi aquele negócio supersize.

Chegando aqui, tava uma chuva do kct. O céu tava de uma cor q eu nunca tinha visto antes, um marrom cor de terra puxado pro acinzentado. Apocaliptico, sim. À noite, um frio horrível, e as sakuras florescendo pela cidade toda. Para comprovar que este é mesmo o Japão.

O alojamento é meio velho, e o saguão parece o de um albergue, todo cheio de bagunça. Parece que é bem diferente do q fica ao lado, q mais parece um hotel. A vantagem é que nosso aluguel é bem mais barato, e não há problemas em receber visitas (embora as regras digam o contrário). O quarto é legal, do tamanho q eu precisava. A minicozinha é mini mesmo, um fogão de uma só boca, sem lugar para cortar as coisas. O banheiro é a coisa mais compacta q eu já vi: a pia é móvel e, para tomar, banho, vc tem q girá-la para esconder a privada e conseguir usar o chuveiro. Otimização máxima de espaço. Cabe uma pessoa exatamente, e, se minha barriga fosse um pouco maior, não teria espaço para eu ficar lá dentro.

Aos poucos, eu já estou comprando utensílios e arrumando as coisas. Tudo bem baratinho, claro. O que não significa q eu estou gastando pouco - Tokyo está mexendo profundamente com meus brios consumistas. Nunca vi nada parecido, essa quantidade sem noção de restaurantes, lojas e tudo da melhor qualidade em todo lugar. É como se a cidade toda fosse uma imensa Oscar Freire, mas com a msm quantidade de lojas q a 25 de março. Para piorar, o alojamento fica entre dois dos bairros mais conhecidos para compras e baladas - Shibuya e Shimokitazawa - e eu passo todos os dias por eles para chegar ao campus (eu moro num campus q não é o meu, infelizmente, Aí enfrento 45 min de trem todos os dias).

Ontem, por ex, rolou um negócio mto doido. O pessoal do lodge (o aloja) fez uma reunião para ir jantar fora. Daí, de repente, juntou gente do mundo todo, de todos os continentes, numa mesa de um restaurante literalmente underground (era subterrâneo, msm) com comidas esquizofrênicas, q juntavam ingredientes mexicanos, indianos e mongolianos num msm prato. E, do meu lado, sentou o inglês mais bonito do mundo, q estuda naves espaciais e me deu a pior dica q alguém poderia ter me passado: "entre nos lugares mais estranhos e escondidos, especialmente restaurantes, para descobrir q Tokyo é um lugar único". Ah, meu dinheiro...

Brasileiros não faltam por aqui. Só no alojamento, somos em 6. Tem 3 no msm departamento q eu, dois deles chegando agora comigo. Eles têm sido a minha salvação, porque parece q tdos se esqueceram de q eu não falo japonês - na faculdade, todas as orientações foram em japonês, e não há uma palavra em inglês nas instruções. Meu professor orientador sumiu do mapa, e eu fiquei sabendo pelos outros alunos q ele é famosão, tem até talkshow na TV. E, por isso mesmo, ngm nunca sabe onde ele está. Até agora, só me inscrevi para o curso de japonês. Parece q a prova pro mestrado é em agosto, e, dependendo da área, não pode ser feita em inglês. Na melhor das hipóteses, as perguntas serão em japonês, e as respostas podem ser em inglês. Ou seja, há possibilidades de q o mestrado não seja possível. Mas não importa. O que eu quero é virar esta cidade de cabeça para baixo.

Ah, e eu me lembrei do quanto é difícil ser estabanado no Japão. Porque aqui tudo é tão pequeno e cheio de gente, q parece q eu sou três vezes mais desajeitado. Hoje, sem querer, eu passei a mão na bunda de uma véia na rua, e ela deu um pulo para frente e um grito bem japa, do tipo: "uôôôôôôô", q nem dos samurais. Toda hora eu trombo nas pessoas e eu já retomei o antigo hábito de pedir desculpa a cada 5 segundos.

Bom, já falei muito por hoje! Depois eu conto melhor sobre a Toudai e o resto das coisas. Não vou demorar a escrever, pois já estou com saudades de todos. Mandem email e deixem mtos comments!