Primeiros dias só têm gafe e bola fora, é claro. A agressão chegou ao Japão! Para resumir, algumas cenas.
1. O broto da sexta, o Hiroshi, é um japa que não gosta do Japão. Ele quer falar inglês a todo custo e ficou 6 meses na Austrália dando duro para ver se consegue se livrar das raízes. Óbvio que, como todo bom japonês, ele não teve sucesso. Mas dá para conversar com ele numa boa na língua do Bush. Nós nos encontramos no começo da noite e ele me levou a um bar em Shinjuku, região de Nichome, que é, digamos, a Consô japa. 200 bares e baladas GLS fazem a maior concentração gay do mundo, com público bem diferente daquele que se vê na semelhante paulistana: em vez dos emos e adolescentes recém-saídos do armário, estrangeiros, jovens com 20 e poucos e tiozões doidos para pagar bebidas aos mocinhos. E eu, sem saber de nada, fuilevado lá para curtir o frio de 10 graus que anda fazendo nas noites daqui. Fomos a dois bares e uma balada, eu, o Hiro e mais um amigo dele, um ser sorridente com cara de raposa que não fala nada em inglês, exceção feita a palavras como "Beyoncé", "Britney" e "Pussycat Dolls". Hora de entrada na balada: 9 da noite. Lotadaça! Espaço pequeno, com muitos estrangeiros e gente dos mais diversos estilos (será q era assim a balada de Campinas?). Ninguém dançando, ninguém beijando. Meus amiguinhos, então, resolveram apavorar o lugar. Subiram no palquinho e me levaram junto, e lá fizemos uma linda performance (eles mais q eu) com danças BEM apimentadas. O cara de raposa era mto legal, e com ele eu consegui, provavelmente, bater o primeiro papo inteiramente em japonês da minha vida. O apelido dele é Momo (mto fofo, significa pêssego) me disse que ativo, no japão, é TACHI (o mesmo que stand) e NEKO (gato) é passivo. Gays são todos iguais, mesmo, seja onde for.
2. "Soro soro, sekuhara desu yo!". Sekuhara é a forma curta de Sexual Harassment, uma grande preocupação dos japoneses hoje em dia. Essa frase aí é o slogan de uma campanha que estão fazendo aqui na Toudai para diminuir a bolinação das japas e significa "mais um pouco, vira assédio sexual". Eu estou com vontade de virar o rei do sekuhara. Essas estrangeiras - não só as japas, como as indonésias, as malásias, as australianas, as russas...- têm cara de frígidas que não fazem sexo desde que nasceram em seus países estranhos. E isso me dá vontade de fazer sekuhara, para ver se elas acordam para o mundo. É meu lado brasileiro aflorando, o sangue do carnaval e do axé assumindo vontades messiânicas de pôr sorrisos maliciosos na boca dessas negas todas. Ok, isso é só uma divagação, visto que na prática elas ainda continuam sem o cromossomo Y, portanto, desinteressantes.
3. Falando em estrangeiros, eu resolvi assumir um jeito Gasparzinho de ser. Apareceu alguém na minha frente, é estrangeiro, eu puxo papo. Com isso, já perdi a conta de conhecidos novos que fiz. E o pior é que eu sempre acabo falando alguma agressão para eles, sem querer. Confundo os nomes, os países, vou fazer uma brincadeira e eles não entendem. Tento agradar e...Bem, entre as pessoas mais interessantes, estão:
a. Sulivan, um alemão que eu encontrei num Pub e está aqui para atuar no mercado de moda. Não, aqui e na Alemanha, não precisa ser gay para trabalhar nisso. O menino tem 23 anos e começou a tremer quando eu puxei papo com ele. Mas não demorou para colocar em prática um dos superpoderes que os estrangeiros adquirem por aqui: a verborragia mortal. Minha tese é: como não tem ngm para falar inglês, quando eles acham alguém, começam a falar como se fosse a última vez na vida. Com o Sulivan, eu aprendi que na Alemanha as pessoas se atrasam nos compromissos em até 10 minutos e que o povo adora roubar coisas nas lojas. "Perto do Japão, lá é tudo muito errado e desorganizado", disse o garoto. Ai, se ele visitasse o Brasil...
b. Bean, um neozelandês bonitíssimo e extremamente simpático que me passou o celular sem eu nem pedir. Ok, ele só quer amigos. Mas só a emoção de ter um dele querendo falar comigo já é bão demais.
c. Tandra, uma "indonésia" que usa véu na cabeça e sempre vem puxar papo junto com uma "malásia", a Sam, que também veste o véu. Eu nunca tinha conversado com mulheres de véu na cabeça.
d. Paulo, um português com cara de jogador de futebol americano que, na verdade, é um nerd de raiz. 29 anos, tem fome sempre e não pára de falar um segundo. Ele é grandão e não fala NADA de japonês, então fica querendo a todo tempo querendo sair conosco, brasileiros simpáticos e solícitos. O problema é que basta eu ouvir o sotaque para associar às piadas de portugas e começar a dar risada do nada.
Com o Paulo, eu aprendi que Portugal é quase que nem o Brasil, exceto por eles serem mais ricos e morarem na Europa. Ah, e eles usam aquelas palavras engraçadas. Quem pode ser tosco a ponto de falar "malta" para "galera", "paneleiros" para gays e "comboio" para trem???
4. Ontem, andando em Shibuya, um dos bairros mais famosos por aqui, encontrei alguns locais ótimos.
a) A Condomania (o Luiz tinha me falado dessa) é uma loja de camisinhas para todos os gostos. Tem até do Picachu. Mas o melhor são umas chupetas taiwanesas com formato de pau. Chamam-se "women relief". hehehehe.
b) Standing sushibar, em que vc não senta pra comer e por isso paga mais barato. Eu me acabei...
c) Sex Shop bizarra, que tem uma placa logo na frente anunciando o que vende lá dentro, cada qual com um desenhinho do lado. Até aí nada demais, exceto pelo último item da lista: DRUGS. Do lado, o desenho de um cogumelo. A Eliza tirou foto disso, assim que ele me passar, eu posto aqui.
Ok, tem milhões de coisas mais para contar. Mas eu já cansei de escrever e vcs, de ler. Fica pra próxima! Mais duas semanas e eu já devo estar com meu celular (nunca tive tanto trabalho pra comprar algo, nem o bonequinho do Seiya) e um notebook. Meu celular, invejem, manda e-mail com...Vídeo! Fora q dá para assistir TV nele, pagar o passe do metrô e comprar bebida nas 200 milhões de máquinas q tem nas ruas (para quem me zuava: eles entendem qdo eu falo JIDOUHANBAIKI, viu!!!).