23.6.07

Eu, os japas

Todo mundo me pergunta como é lidar com os japas. Se eles são legais, se já fiz amizade com eles. Às vezes é difícil responder, e eu tenho que parar para pensar sempre. A razão é simples: eu não interajo quase nada com japoneses de verdade. Uma vez por semana, eu encontro por duas horas com um menino voluntário da Toudai para falar em japonês. Ele cozinha alguma coisa lá na facul, os amigos dele aparecem de vez em quando, e é isso. Acabou. Meu contato com os neo zelandeses, por exemplo, é 5 vezes maior que com os japas. Ah, tem também as japas que falam inglês, espanhol e até português que vez por outra aparecem com as minhas amigas. Mas com nenhuma delas eu converso de verdade.

Daí acaba que todos os estrangeiros ficam nesta situção. Ninguém fala japonês decentemente, a maioria mal sabe articular umas frases. Eu, aos poucos, tô melhorando. Mas ainda me sinto ridículo quando não consigo entender coisas bem, bem simples. E aí...

Acontecem situação como a da semana passada. 5 japas, os amigos do voluntário, tentaram me explicar o sistema do zodíaco chinês. Eles falavam todos aos mesmo tempo, desenhavam, escreviam, faziam sinais. E eu, com cara de tonto, concordava, depois fazia cara de dúvida, depois falava alguma coisa para mostrar que tinha entendido. Ma a verdade é que 80% eu não compreendi, e mais uns 10% eram o que eu sabia antes. Ou seja, 1/10 de aproveitamento.

E aí eu tento ler um livro de sociologia em japonês. Me esforço, me esforço, e após umas três páginas eu me sinto cansado como se tivesse lido o Dom Quixote inteiro. Aprendo o kanji de fenomenologia, me sinto ultrachique, e aí vou no Mc Donalds e não entendo metade do que a atendente fala. O que acontece?

Como se não bastasse aprender a língua, vc ainda tem q saber os códigos sociais japas, que não são poucos. Quer fazer um teste? Tenta encontrar os problemas de conduta nas situações abaixo. Depois vê o score e me fala. Ah, tudo aí aconteceu de verdade.

Situação 1
Uma menina estrangeira conheceu um japa legal e eles trocam e-mails para se conhecer. Ele diz: "o que vc acha de nos encontrarmos?". A menina responde: "ótimo! Depois me manda mensagem quando estiver a fim de sair". O cara pára de mandar e-mails. Por quê?

Situação 2
Um estrangeiro está andando na rua com seu amigo, lado-a-lado, numa calçada estreita. Conversam animadamente até que uma pessoa passa e fala várias grosseiras para eles. Por quê?

Situação 3
Um estrangeiro está lendo um livro no trem e os japas ficam olhando para ele incomodadas. Por quê?

Situação 4
Um estrangeiro vai pedir informações no posto policial e pergunta se o vigilante sabe onde fica a estação de metrô. Ele explica o caminho para chegar lá de trem, mas o estrangeiro diz que quer ir andando. O guarda começa esbravejar como se tivessem xingado a mãe dele.

Situação 5
O estrangeiro está na plataforma para pegar o metrô. O trem chega, abre a porta e o nego entra. Um japa que está saindo chuta a perna dele de propósito.

RESPOSTAS
1. Quando um japa te chama pra sair, tem que pegar a agenda na hora e marcar dia, hora e lugar. Deixa para depois é falta de interesse.
2. Se a calçada é estreita, ande em fila indiana. O lado esquerdo é para quem vai, o direito é para quem vem. Isso vale em escada rolante também.
3. Os japas usam capas nos livros, para que ninguém saiba o conteúdo. É estranho não usar. Mas se for revista, aí tudo bem, mesmo que seja de pornografia. Só que tem que ver as fotos como se estivesse lendo a The Economist, com cara de sério.
4. Dois problemas. Primeiro, se dá para chegar de trem, é para ir de trem, não tem por que ir andando. E não adianta tenta explicar o contrário. Segundo, o jeito como se pergunta. Perguntar se alguém sabe alguma coisa, aqui, tem que ser feito de maneira muitíssimo delicada. Senão soa extremamente agressivo. A escolha correta do verbo é essencial, o tom de voz também.
5. Só entre no metrô ou no elevador depois que todo mundo sair. Antes disso, espere ao lado da porta.

11.6.07

Agressão II

1- Eu no musical Ontem, uma turca ajaponesada chamada Ovgu, doravante chamada Ovo, nos convidou para ver um musical de graça. O nome era Common Beat e teria danças do mundo todo interpretadas por uns jovens japas. Ok, fomos lá, eu, Eliza e Putinho-Kun. Daí, chegand o lá...Não era para ver o musical, mas para participar dele! Eu tomei um susto e não acreditei. O povo começou a dançar umas coisas dificílimas e a gente tinha de escolher entre 3 opções: dança africana, japonesa (Yosakoi) e árabe (dança do ventre). Eu queria a do ventre, mas eles disseram q era só pra mulher. Aí lá fui eu dançar o Yosakoi...Negada, eu qse morri! O negócio era rápido pra kct e a seqüência, interminável. Vira pra lá, vira pra cá, roda, aponta, chuta. Realmente, a Madonna merece ganhar aquela grana toda! Uhahuahuahu...Não, não merece. Resultado da agressão: eu errei tudo na hora da apresentação, chutei uns japas, atropelei outros, e a Ovo parou de sorrir.

2- Encontro esquisito E no sábado, eu fiz uma coisa q era costume no Brasil. Marcar de sair ao mesmo tempo com pessoas diferentes e depois me ferrar. Huahahuahu...Aí, o jeito foi juntar todo mundo no mesmo programa, mesmo sem elas terem nada a ver entre si. Numa mesma mesa de bar, eu juntei: Erin, menino voluntário estudante da Toudai que é supercertinho e conversa comigo em japonês, indonésio gay, broto que tá saindo comigo. Erin não fala japonês, voluntário não fala inglês, broto não gosta de quem estuda na Toudai e indonésio é alegre e feliz. Ai, que foi um deus nos acuda pra enturmar esse povo. Como não tinha jeito de fazer o bonde andar, eu bebi uns 3 copos de cerveja. E aí, por milagre, tudo deu certo, e o menino da Toudai chamou a gente pra continuar bebendo na sala de estudantes do departamento dele. Fomos lá, eu tomei mais um monte, e veio a revelação do dia...Atenção!

O menino não voltava pra cada dele fazia um mês! Ele dorme no sofá da faculdade, toma banho no chuveiro público e fica lá estudando dia e noite. Por isso que, nas 6 vezes q nos vimos, ele tava usando a mesma roupa. Fala se os japas não são doidos? Sim, eles são.

3- Huruku chegou Ontem encontrei o Eric, meu véio amigo q chegou dos EUA pra dar aula de inglês aqui. O nego tá bombado, tomei mo susto. Ele tá perdido aqui no Japão, coitado, sem entender nada das esquisitices nipônicas. E tá passando fome,claro, porque perto das porções supersize dos EUA o que vende aqui não é nada. Daí a gente tava andando na rua e, do nada, apareceu um japa doido que ficou parado no meio do caminho. Ele pôs o dedo na garganta e começou a fazer um barulho bizarro...hahahahaha. Eu comecei a andar, mas o japa perseguiu. Então entramos numa loja e ele sumiu. Eu, hein.

3.6.07

Ridículo

Não tem pra ninguém. Se o objetivo é ser ridículo, os japas superam qualquer outra nação de longe, até os EUA se bobear. Prova disso:

1- No sábado, eu fui com a Erin numa coletiva de imprensa ver o Takeshi Kitano (o diretor de cinema, aquele). God. Pra começar, os fotógrafos que quisessem retratar o homem tinham de vestir uma peruca ridícula de samurai, feita de plástico. Quando a gente entrou na sala para ver o Kitano, eis que o público todo (que tinha pago para estar ali) vestia a mesma peruca, velhos, crianças, todo mundo. A idéia era tirar uma foto pra imprensa, e aí todo mundo ia fazer uma coreografia. E aí a apresentadora, espécie de Xuxa japa, dizia: "agora, gente, todo mundo vai gritar junto pra treinar. Um, dois, três e...BANZAAAAAAAAI". A galera levantava os braços e gritava. Quando o diretor entrou na sala junto dos atores, a hora da foto chegou. O público todo teve que repetir a coreografia umas dez vezes para os fotógrafos e as emissoras de TV. Repito: eles pagaram para estar lá.

2- Na frente da chamada Times Square japonesa tem uma loja de donuts. Na frente da loja, todo fim de semana, fica uma das coisas mais ridículas que eu já vi na vida. Uma fila de mais ou menos 2 horas de espera para comprar donuts na tal loja. Não se o negócio é bom, não conheço a marca, mas nenhum donut do mundo vale esperar 2 horas. E pior: tem a fila da fila. Quando saem de lá, os japas carregam umas caixas que nem aquelas do Habis's, felizes da vida. Ah, e esse gringo babaca narrando o vídeo aí embaixo é o pior, falaê.



3- Harajuku é lugar de gente que gosta de aparece. Tem uns emos que carregam placas de "free hugs", tem os jovens fantasiados, bandas na rua...Enfim. Mas dois casos específicos superam os outros na ridicularidade. Primeiro, um grupo de véios na faixa dos 40 anos que se vestem com peruca de Elvis Presley e roupas de rock anos 60. Eles põem o som no último volume e ficam dançando entre si, ali, no meio da calçada, como se tivessem feito 18 anos anteontem. Hoje, no entanto, apareceu um fulano BEM pior. Ele é um cara de uns 40 anos também, vestido com uma regata coladinha e gel no cabelo. O nego pôs um som na frente de um muro, em cima da ponte, e começou a cantar músicas românticas, olhando para a parede, como se estivesse sofrendo no fundo da alma. Vermelhão, mexendo as mãos como se estivesse diante de uma Julieta (a racha que morreu com o Romeu).