16.7.07

Una chilena en Japón

Violeta Parra é uma cantora chilena que nasceu em 1917. Morreu 50 anos depois, acho, após atirar na própria cabeça. Compôs inúmeras músicas, álbuns, aquela coisa toda.

Violeta me acompanha na rua, no trem. Ela canta a trilha sonora dos meus passeios em Harajuku cheio de japas bizarros na paisagem. Com seu violão repetitivo, às vezes até violento, povoa o caminho da estação à minha casa com ritmos e tristezas dos Andes chilenos. A voz dela é seca, não tem a sexualidade das cantoras brasileiras. As estrofes aliteradas parecem menores ainda no sotaque que corta tudo pelo meio.

As letras falam de injustiça e solidão. Violeta não tem medo de agredir os presidentes, os burocratas, o papa até. Ironiza os preconceitos, instiga a revolta. Chora a melancolia do amor malfadado. O significado é claro, a gramática é direta, assim como as poesias do compatriota Neruda. Por alguma razão, eu não gosto de Chico Buarque e adoro Violeta Parra. Creio que é por uma questão de sentimentos, mesmo - nada sinto no primeiro, tudo me envolve na segunda.

A música que ela faz é daquelas que precisa de espaço para repercutir, ecoar. Como a eternidade das paisagens chilenas, cheias de montanhas que fazem a gente se sentir minúsculo, irrelevante. Aqui no Japão tudo é pequeno, comprimido, superpovoado. Daí que ouvir Violeta Parra traz a sensação de que a extensão dos seres humanos não termina de repente, no limite do outro, mas se perpetua até desvanecer por falta de força e coragem.

Essa música aí foi feita para um amor que se mandou para o norte sem dar muitas satisfações. Mesmo lendo não é muito fácil de entender o vocabulário para quem não fala espanhol (eu precisei de um dicionário.



http://www.geocities.com/Vienna/Strasse/1791/chile/runrun.html

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

baixei el sacristan e umas outras por tua recomendação. o cd de musicas latinas pros japas vai bem?

2:38 AM  

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