Nikko
Viajar, eu falei para o Flávio uma vez, é realocar significados. Talvez por isso eu ache tão chato programar demais e fazer tudo dar muito certo: porque aí vc se torna um mero espectador no seu próprio passeio, e significado nenhum muda.
Ok, essa tlvz seja uma desculpa para o fato de que eu não consigo organizar e programar nada, ou seja, evitar agressões. Mas acredito de verdade nisso. Por ex, a viagem q eu fiz com o Eric para Nikko, uma cidade montanhosa famosa por seus templos (cidade no Japão famosa pelos templos? Que novidade!) e belas paisagens.
O nego marcou essa folga há uns três meses para a gente poder ir. Eu tenho um guia falando sobre Nikko e xeroquei mais umas páginas de um outro. Pra quê? Pra tudo dar errado! Hahahaha...Primeiro, para economizar 1.000 ienes (qse 20 reais), escolhemos ir com o trem pinga-pinga, no qual impera a pobreza. 40 minutos a mais de viagem, 2h30 até lá. Ele de bermuda e camiseta, eu de manga curta, ambos sem guarda-chuva. Chega lá: água caindo aos montes e um frio de entorpecer até o demônio. Eu olhei a previsão, é verdade, mas não acreditei nos 30% de possibilidade de chover. E simplesmente não olhei a temperatura. Não levamos roupas de frio, parecia que iamos para um finde no Rio de Janeiro. Caos!
Fomos, então, aos famosos templos da cidade, onde um exército de crianças e velhos duelavam com seus guardas chuvas coloridos. Os templos eram iguais a todos os outros, e em algum deles tinha q tirar o sapato pra entrar. Caos, caos. A gente, morrendo de fome e frio, olhou tudo num pulo e correu para o hotel. Era cinco da tarde, parecia meia-noite de tão escuro. Todas as lojas fechando, inclusive os restaurantes. Perdidos no meio do nada, na beira de um rio e uma montanha, um garotinho que surgiu do nada, Souta-kun, nos guiou até perto do hotel em que eu queria me hospedar. Não fiz reserva, claro, pois era uma segunda-feira e ninguém iria viajar. Quartos esgotados. Embaixo da chuva e um frio de 5 graus, no meio de uma rodovia na montanha, eu tentava buscar outro lugar pela internet do celular. Meus dedos não se mexiam mais, paralisados pelo frio. Agressão! Por sorte, um hostel ali perto tinha vagas...
Lá, uma simpática velhinha nos recebe. Simpática? A mulher falou tantas regras q eu fiquei tonto. Retorno até as 20h, banho até as 21h. Café da manhã às 7h30. Saímos pra jantar, era 18h, e não tinha mais nada aberto. Por sorte, uma cadeira de rest do interior tinha uma unidade de lá e nos salvou. Na volta, mais agressão: Eric foi só ver como era o ofurô, e a véia começou a gritar dizendo q ele tava tomando banho de porta aberta. Hahahahahah...Fora a bronca q eu tomei por entrar com o guarda-chuva naquela espelunca.
Dormi mto mal. No dia seguinte, 7h30 em ponto, café da manhã com salada (!) e ovos. Pão e chá. A véia era outra, simpática, perguntando dos 100 anos da imigração japonesa pro Brasil. Acho q ou ela é bipolar ou deu bem gostoso pro véio dela naquela noite. Sei lá. Saímos pra passear e o Eric comprou uma blusa na única loja de roupas da cidade, minúscula, com um vendedor que já devia estar aposentado quando eu nasci. Eu resisti, pois não queria gastar. Fomos de ônibus em busca de um tal lago com umas cachoeiras lá e, pra iniciar bem o programa, Eric esqueceu seu cel no ônibus. E eu, sem blusa, me senti como um bonecos de neve na Islândia. Por sorte, numa lojinha de doces, a véia vendedora (sim, outra) tirou do nada umas blusas de frio de uma sacola e resolveu vender. Como eu descobri? Eric achou q deveriamos perguntar se tinha blusa de frio na loja de doces. Eu ri da cara dele, claro, e perguntei só de raiva. Dai tinha...
O resto da viagem foi legal. Atravessamos uma floresta com as folhas todas laranjas. Fomos ao onsen e entramos na piscina quente ao livre, com aquele frio horrível. Tem poucas coisas tão boas neste mundo, devo dizer! O engraçado é q, tirando nós dois, se juntasse a idade dos outros usuários do onsen daria mais que a idade de Platão e Aristóteles juntos...
Olha umas fotos aí.
www.flickr.com/tokyo4losers
e uns vídeos
Ok, essa tlvz seja uma desculpa para o fato de que eu não consigo organizar e programar nada, ou seja, evitar agressões. Mas acredito de verdade nisso. Por ex, a viagem q eu fiz com o Eric para Nikko, uma cidade montanhosa famosa por seus templos (cidade no Japão famosa pelos templos? Que novidade!) e belas paisagens.
O nego marcou essa folga há uns três meses para a gente poder ir. Eu tenho um guia falando sobre Nikko e xeroquei mais umas páginas de um outro. Pra quê? Pra tudo dar errado! Hahahaha...Primeiro, para economizar 1.000 ienes (qse 20 reais), escolhemos ir com o trem pinga-pinga, no qual impera a pobreza. 40 minutos a mais de viagem, 2h30 até lá. Ele de bermuda e camiseta, eu de manga curta, ambos sem guarda-chuva. Chega lá: água caindo aos montes e um frio de entorpecer até o demônio. Eu olhei a previsão, é verdade, mas não acreditei nos 30% de possibilidade de chover. E simplesmente não olhei a temperatura. Não levamos roupas de frio, parecia que iamos para um finde no Rio de Janeiro. Caos!
Fomos, então, aos famosos templos da cidade, onde um exército de crianças e velhos duelavam com seus guardas chuvas coloridos. Os templos eram iguais a todos os outros, e em algum deles tinha q tirar o sapato pra entrar. Caos, caos. A gente, morrendo de fome e frio, olhou tudo num pulo e correu para o hotel. Era cinco da tarde, parecia meia-noite de tão escuro. Todas as lojas fechando, inclusive os restaurantes. Perdidos no meio do nada, na beira de um rio e uma montanha, um garotinho que surgiu do nada, Souta-kun, nos guiou até perto do hotel em que eu queria me hospedar. Não fiz reserva, claro, pois era uma segunda-feira e ninguém iria viajar. Quartos esgotados. Embaixo da chuva e um frio de 5 graus, no meio de uma rodovia na montanha, eu tentava buscar outro lugar pela internet do celular. Meus dedos não se mexiam mais, paralisados pelo frio. Agressão! Por sorte, um hostel ali perto tinha vagas...
Lá, uma simpática velhinha nos recebe. Simpática? A mulher falou tantas regras q eu fiquei tonto. Retorno até as 20h, banho até as 21h. Café da manhã às 7h30. Saímos pra jantar, era 18h, e não tinha mais nada aberto. Por sorte, uma cadeira de rest do interior tinha uma unidade de lá e nos salvou. Na volta, mais agressão: Eric foi só ver como era o ofurô, e a véia começou a gritar dizendo q ele tava tomando banho de porta aberta. Hahahahahah...Fora a bronca q eu tomei por entrar com o guarda-chuva naquela espelunca.
Dormi mto mal. No dia seguinte, 7h30 em ponto, café da manhã com salada (!) e ovos. Pão e chá. A véia era outra, simpática, perguntando dos 100 anos da imigração japonesa pro Brasil. Acho q ou ela é bipolar ou deu bem gostoso pro véio dela naquela noite. Sei lá. Saímos pra passear e o Eric comprou uma blusa na única loja de roupas da cidade, minúscula, com um vendedor que já devia estar aposentado quando eu nasci. Eu resisti, pois não queria gastar. Fomos de ônibus em busca de um tal lago com umas cachoeiras lá e, pra iniciar bem o programa, Eric esqueceu seu cel no ônibus. E eu, sem blusa, me senti como um bonecos de neve na Islândia. Por sorte, numa lojinha de doces, a véia vendedora (sim, outra) tirou do nada umas blusas de frio de uma sacola e resolveu vender. Como eu descobri? Eric achou q deveriamos perguntar se tinha blusa de frio na loja de doces. Eu ri da cara dele, claro, e perguntei só de raiva. Dai tinha...
O resto da viagem foi legal. Atravessamos uma floresta com as folhas todas laranjas. Fomos ao onsen e entramos na piscina quente ao livre, com aquele frio horrível. Tem poucas coisas tão boas neste mundo, devo dizer! O engraçado é q, tirando nós dois, se juntasse a idade dos outros usuários do onsen daria mais que a idade de Platão e Aristóteles juntos...
Olha umas fotos aí.
www.flickr.com/tokyo4losers
e uns vídeos
