8.10.07

3 passeios interessantes

Quais lugares a gente deve conhecer ao visitar outro país? A resposta não existe, óbvio, mas devo dizer que pelo menos para mim esse conceito está mudando a cada dia. Ontem e hoje fiz três passeios que eu diria imprescindíveis na minha estada por estas bandas.

1- Onsen Os banhos públicos são uma tradição japonesa - isso quase todo mundo sabe. Mas ir a um deles de fato é uma sensação bem, digamos...Diferente. No sábado fui a um deles com meus amiguinhos malaios, Chow e Stephen. Fiquei ansioso, coisa besta, mas é que sempre fico morrendo de medo de fazer milhões de coisas erradas e ganhar olhares feios. Sei que é coisa de gente fraca ter tanto receio de cometer uma gafe, mas é que minha cara não-oriental faz tudo parecer tão pior.
A gente foi num bem grande, com vários opções de piscinas: quente a 41,5 graus, 39,6 graus, ao ar-livre, fria, com hidromassagem, e mais duas saunas, uma seca com TV e outra normal. Claro que todo o tempo você fica sem roupa nenhuma, já que é um banho. E aí que vem a coisa estranha: ficar pelado com outros 200 japas de todas as idades é uma situação bem engraçada. Porque eles continuam com a mesma cara de "estou no trem", ou seja, indiferente, olhando para o nada, mas dando aqui e ali uma espiada de rabo de olho no estrangeiro. E você se sente um alien, exceto talvez pelas crianças, as únicas que não ligam pra vc. Situações péssimas: eu entro na piscina e todo mundo sai. Eu entro na sauna e todo mundo sai. É certo que meus amigos também estavam comigo, mas eles têm cara de asiáticos, ainda que seja bem óbvia a não-japice deles. E antes que alguém pergunte: não é quase nada excitante a situação, já que depois de 5 minutos é como se vc estivesse numa piscina qualquer. Ok, não seria legal estar em um desses com um monte de mulher. Mas nem dá mta vontade de ficar olhando pra ngm, não.
E é relaxante pra kct, devo dizer. Apesar das águas quentes serem quentes demais e as frias, frias demais.

2- Ageha Com certeza a maior festa gay do Japão, acontece a cada dois meses numa balada longe de tudo, na beira de um rio. O preço assusta, o lugar também: 80 reais para entrar num galpão gigantesco, duas pistas sem-noção de grandes, sistema de som fodaço, piscina ao ar livre para ficar em volta, praça de alimentação e um local com cabana e redes para descansar. Ah, e dark room, claro. No começo, fiquei bem empolgado, ainda que o som fosse eletrônico agressor. Mas aí vai passando o tempo e cai a ficha de que aqui é Japão, e na balada não tem um ser humano abraçando ou beijando. Com exceção de uns estrangeiros aqui e ali ou japas mais saídos. A galera tava lá: Aulia, o indonésio, os dois malaios, Shin-chan, um chinês, Eric e outros conhecidos. Mas devo dizer que algo me fascina: sei lá quantas mil pessoas e ninguém encosta em você para pedir passagem, dançar ou qq outra coisa. E na pista, todos os japas olham para o DJ, para os gogo-boys ou para as drags - que são muito engraçadas falando em japonês. Sei lá, eu só consigo pensar em drag falando espanhol, português, inglês, mas nunca uma dessas línguas asiáticas. Peguei um vídeo no Youtube pra dar uma idéia do lugar. Vê no final.

3- Bshaft Ok, o mais...diferente fica pro final. Hoje, um feriado chuvoso, eu estou na internet e o malaio Stephen me convida para ir numa sauna gay. Nunca fui, no Brasil nunca iria, mas por que não aqui no Japão? Pelo menos é certeza que não ia ter nenhum tipo balada do Arouche andando por lá (se acha que preconceito, cata os nego lá do Arouche e vem me falar).
O lugar era minúsculo, a gente levou um século para achar, e acho que só deu certo porque o Stephen fala chinês e conseguiu decorar o nome do prédio em kanji. Numa rua pequena, um predinho baixo com a escada escondida. A placa só tem o nome escrito: Bshaft. A porta fechada, que nem essas de serviço, com uma placa que eu, nervoso que tava, li como "só funcionários". Mas por sorte o menino viu os kanjis e descobriu que ali era a entrada.
Luz bem escura, som bem alto, japas, só japas, todos jovens e com o corpo em cima e cara de trem acima mencionada. Nada de vovôs nem barrigas. Eu e o outro agressor, que pareciamos o Faustão perto dos outros, ficamos meio inseguros. Pior para ele, porque eu não queria nada ali: um pequeno labirinto de corredores, com saídas para salinhas de sexo. Dentro das salinhas, os caras trepam de porta aberta mesmo, e quando uma música acaba e passa pra outra, você ouve os gemidos e sons engraçados. E os caras ficam parados na frente das portinhas: o corredor da direita era para passivos, o da direita para ativos. Se você fica esperando em um dos dois lugares, o povo já sabe o que você. Organização japa, vai dizer. É difícil ver os rostos, os corpos é que estão lá à venda, e eu não consigo deixar de achar graça na situação. Pobre Stephen, que tem um sorriso alegre e uma cueca amarela, no meio dos japas com cara de mau. Não se ouve um palavra humana, só sons. Os únicos que falávamos, claro, éramos nós dois.
Eu sentei num sofá e fiquei esperando para ir embora. O outro tentou, tentou e nada conseguiu. Se antes eu tava assustado, no final saí dando risada. É um teatro, né.

3 Comments:

Blogger Luciene said...

je-súis-na-crú-is!

11:36 AM  
Blogger Lu said...

Demás!!!

Você samba muito, bofe. Quer ser madrinha da bateria?

11:18 PM  
Blogger Lu said...

Ah, sobre os banhos, deve ser mto estranho, para não dizer disgusting.

Com a maioria das pessoas a gente convive sem imaginar que eles têm pinto e bunda embaixo da roupa.

Eu preferia tomar banho com todos vestidos... nada de bunda cabeluda à mostra.

11:21 PM  

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