Estar longe
Aos poucos, Tokyo vai se tornando a minha casa. Eu já sei como chegar nos lugares, onde estão as coisas de que eu gosto, porque este lugar é melhor que aquele. Quando se anda muito tempo sozinho pelas ruas, e esse é o meu caso, cedo ou tarde a cidade vira sua companheira, ou tlvz até mais q isso. É quem te acompanha pra cima e pra baixo, que te segue na volta pra casa depois da ida ao bar, que te vê triste e alegre quando não tem mais ninguém por perto para testemunhar.
Da janela do meu quarto, eu vejo os prédios gigantescos de Tokyo com luzes vermelhas piscando no topo (para evitar acidentes de avião). Há uns meses, essa era a imagem da melancolia. Agora se tornou parte do meu quarto, eu olho e não percebo mais.
Com São Paulo, as coisas eram mais ou menos assim. Com a diferença que lá parecia um lugar bem mais fácil de dominar, visto que os pontos a conhecer eram em número bem menor que os daqui. Hoje vejo que não. Se aqui tem trocentas vezes mais restaurantes, museus e o diabo a quatro, São Paulo tem uma diversidade de paisagens que Tokyo nem sonha em possuir. A diferença do Morumbi para a Luz, e desses dois para São Miguel - isso não existe nem de um estado para outro aqui no Japão. É o que dá não ter pobreza.
Eu ainda não me sinto confortável aqui como nos lugares que freqüentava em São Paulo. Isso porque a qualquer momento pode aparecer um japonês que vai olhar feio para mim por eu ser estrangeiro, ou falar algo que eu não vou entender e me deixará com cara de tonto. Isso se reflete também na minha relação com a cidade - eu sou metade brasileiro, Tokyo é inteira japonesa. Às vezes penso que seria mais feliz em Osaka, onde as pessoas são mais brincalhonas e barulhentas. Mas é incrível pensar que estou na maior cidade do mundo em número de pessoas - e que ela está a todo tempo falando comigo, ainda que em japonês.
Da janela do meu quarto, eu vejo os prédios gigantescos de Tokyo com luzes vermelhas piscando no topo (para evitar acidentes de avião). Há uns meses, essa era a imagem da melancolia. Agora se tornou parte do meu quarto, eu olho e não percebo mais.
Com São Paulo, as coisas eram mais ou menos assim. Com a diferença que lá parecia um lugar bem mais fácil de dominar, visto que os pontos a conhecer eram em número bem menor que os daqui. Hoje vejo que não. Se aqui tem trocentas vezes mais restaurantes, museus e o diabo a quatro, São Paulo tem uma diversidade de paisagens que Tokyo nem sonha em possuir. A diferença do Morumbi para a Luz, e desses dois para São Miguel - isso não existe nem de um estado para outro aqui no Japão. É o que dá não ter pobreza.
Eu ainda não me sinto confortável aqui como nos lugares que freqüentava em São Paulo. Isso porque a qualquer momento pode aparecer um japonês que vai olhar feio para mim por eu ser estrangeiro, ou falar algo que eu não vou entender e me deixará com cara de tonto. Isso se reflete também na minha relação com a cidade - eu sou metade brasileiro, Tokyo é inteira japonesa. Às vezes penso que seria mais feliz em Osaka, onde as pessoas são mais brincalhonas e barulhentas. Mas é incrível pensar que estou na maior cidade do mundo em número de pessoas - e que ela está a todo tempo falando comigo, ainda que em japonês.

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