28.12.07

Agora é assim

Deu no jornal hoje que a Globo perdeu o recurso contra o processo por ter colocado no ar uma entrevista com o Clodovil que parecia propaganda eleitoral. Enfim, o que eu achei legal foi o comentário do fulano responsável pelo caso no TSE. Perguntaram a ele por que a Globo tinha perdido, e aí: "Os paradigmas colacionados pelo agravante representam jurisprudência já superada no TSE". Gente, tudo de bom falar assim! Especialmente juntar "paradigmas" com "colacionados" (que palavra é essa? É da família do colágeno e da colação de grau?) e usar "superar" para essa tal de jurisprudência.

O Nietzsche disse uma vez que os negos do romantismo comiam batata demais, daí os gases subiam pra cabeça e fazia com que eles escrevessem daquele jeito. Eu discordo: acho que falar difícil é tão bonito quanto ter bolsa Prada. Fico imaginando que, se as bichas deste mundo fossem ricas e inteligentes, teriam a tal bolsa e falariam todas deste jeito. Para diferenciar, sabe.

Este mundo

Quando eu era criança, andava pela rua imaginando como seria legal se umas coisas bem loucas acontecessem do nada. Tipo um cavalo passar voando, eu me transformar num super-herói, a professora começar a dançar balé no meio da aula de Português. Mas essas coisas quase nunca acontecem.

Hoje em dia, minha imaginação ainda cria situações como essas no dia a dia. Eu entro no trem, olho o velho lendo jornal e imagino ele virando geléia de morango. Ou olho para as outras pessoas comendo no bandejão e penso como seria se eles jogassem missoshiru uns nos outros. Mas não, as pessoas são chatas, previsíveis e fazem só o que tem que fazer. Eu também. Se tem um pouco de loucura, imprevisibilidade, isso é só longe dos olhos dos outros. Tipo uma comunidade muito engraçada no Orkut outro dia, sobre uma fulana que toma banho fingindo estar no Oscar e recebe o shampoo Seda como se fosse o prêmio.

O Japão, no entanto, consegue ser bem mais imprevisível que o Brasil. Não é raro que eu esteja andando na rua inocentemente e tenha que piscar os olhos duas vezes para saber se estou vendo algo real. Do tipo...

Outro dia, chegando na estação de Shibuya, tinha um monte de funcionários do metrô enfileirados esperando o trem chegar. Cada um ficava numa porta, paradinho. Aí, quando o negócio tava vindo, eles esticaram o braço com o dedo indicador apontando para frente. O dedo acompanhou o movimento do trem, até a porta se abrir e as pessoas saírem. Por quê?

Eu estou andando na rua, um japa para na minha frente e olha bem fundo nos meus olhos. Aí começa a fazer um barulho bizarro com a garganta. Depois, quando eu desvio dele, sou seguido. Por quê?

Eu saio do bandejão e, quando olho para o gramado do lado, tem dois estudantes japas de cueca tomando sol deitado. Assim, na maior. Como assim?

Estou andando na calçada do parque de tarde e, de repente, tem um DJ tocando e pessoas dançando no meio do caminho. No meio da calçada, num lugar completamente aleatório. O quê?

E por aí vai. Não sei responder às razões das perguntas acima e isso muito me apetece. Se eu acordasse e visse o Ultraman lutando contra um monstro pela janela, ia ser o máximo dos máximos. Será?

22.12.07

Trecho do livro Bed Time Eyes, de Amy Yamada

Um cara me indicou e eu tô lendo. Não sabia que tinha autoras japas com audácia pra escrever isso:

"His dick wasnt this kind of disgusting, red cock white men have, nor it was the pathetic, infantile thing of Japanese men, the kind that doesnt do a thing for you until it is inside you. With Japanese men, anyways, I always worry than I am going to get myself tangled up in their pubic hair because it looks so much like seaweed floating on the surface of the sea."

Depois ela fala que o pau do negão parece uma barra de chocolate gigante, e ela queria chupar até o fim. Hahahahhaha...

19.12.07

Piquenique no parque

No último domingo, eu fiz um amigo novo. Nos conhecemos na internet e depois sentamos pra tomar um café. Como ele foi embora rápido (em geral, os japas não marcam um encontro depois do outro), achei que nunca mais ia me ligar. Aí mandei um "obrigado" pelo celular só pra seguir as regras de etiqueta japas, e...surpresa! Uma mensagem gigante, dizendo q ele estava pronto para me ajudar com o japonês e que provavelmente trocar mensagens nessa língua seria um bom treino.

Bem, fato é que hoje ele me convidou pra ir almoçar no parque. O cara tá de férias, então precisa achar o que fazer. Acho que já disse isso algumas vezes, mas é isso o que eu espero da vida, sabe? Almoçar um bentô no parque vendo o chafariz pular. É bucólico, é lugar-comum, é sociológico. É brega também. E tava um frio do inferno, a comida ficou gelada em menos de 20 minutos. Mas a sensação de libertar-se de seu tempo é boa demais.

Aliás, enquanto eu tava no parque, um japa apareceu com um rádio na mão. Disse que era de uma rádio, deu um panfleto e pediu uma entrevista. Minha! Hahahhaa...queria q eu contasse uma história em que me senti envergonhado e outras em apuros aqui no Japão. Falei da primeira vez em que vi para Tokyo, quando queria dormir num hotel cápsula e sem querer ficar no hotel da putaria. Depois contei de quando perdi meu passe de estudante só duas semanas depois de usar (valia por 3 meses). Claro que eu dei uma aumentada e disse que perdi no primeiro dia. E, em vez de dizer que só perguntei por ele em 3 estações, falei que passei em todas as estações de uma linhas lá para saber se alguém tinha achado. Ah, e foi em japonês a entrevista! Imagino se alguém entendeu alguma coisa...

15.12.07

"Feliz ano-novo", disse A. Nakahara

Minha amiga coreana queria passar o ano-novo comigo, já que não temos dinheiro nem lugar especial para ir. Uma balada qualquer, o bar onde minha outra amiga trabalha. Bem, fui à internet pesquisar pra ver se tinha algo legal no dia. E vem a supresa: nos três últimos dias do ano, vai ter um ultra-mega festival de rock japonês com todas as bandas que eu mais gosto. Ingresso: 150 reais o dia. Fiquei louco, eu tinha que ir no bagulho. Mas o segundo e o terceiro dia, os mais legais, estavam esgotados. Que fazer?

Dei google em tudo quanto é palavra relacionada. Aí entrei no Mixi, o orkut japa, e digitei o nome do festival. Bingo! Um site que vende ingressos em segunda mão de gente que desistiu ou resolveu dar uma de cambista. Tava lá meio: entrada para o último dia, por uns 180 reais. Que fazer?

Eu não podia bobear. Comprei. E aí lembrei da minha amiga coreana: ela nunca ia pagar esse tanto ir ao show. Quanto a mim, passar o ano-novo sozinho no meio da multidão, com várias bandas legais. Impasse, impasse. Bem, já comprei o ingresso, se mudar de idéia tenho que ir lá no mesmo site vender.


13.12.07

Comer

Meu novo blog: www.receitasdemimmesmo.blogspot.com

O primeiro post
Quando eu era pequeno, lá pelos 11 anos, queria muito saber jogar futebol. Impossível. Aos 13, queria tocar piano. Não deu. Aos 14, me imaginava um literato, aos 15, filósofo, com 16, tinha certeza que daria um bom psicólogo. Nada, nada, nada. Então me imaginei, já na faculdade, um homem de poder e grana. Foi tudo pelo cano. Decidi, então, ser um acadêmico prestigiado, daqueles que publicam livros pelo MIT ou Harvard ou qualquer uma dessas. Mas...Ai, que preguiça.

Daí que, por uma ocasião do destino, descobri que adoro cozinhar. Juntar isso com aquilo, jogar na panela e ver no que dá. Passar dezenas de minutos no supermercado, babar em cima de livros de receitas. Opa, isso não é novo - lá pelos 7 anos, a curta coleção de almanaques do tipo "como cozinhar" da minha mãe eram tão divertidos quanto os livrinhos da série Vagalume. Nas férias, eu folheava todo santo dia aquilo, e isso deve ter acontecido até pelos menos uns 11 anos de idade.

Como diz um amigo meu que gosta de tirar fotos - "não sou um bom fotógrafo, tiro muitas fotos até achar uma que preste". O mesmo vale para mim. Faço N coisas horríveis, que não servem nem para adubar a terra. Aí, no meio dessas, surge algo que me faz devorar o prato em cinco segundos (é, daquele jeito). Tampouco tenho técnicas sofisticadas, ou jeito para cortar, picar, coordenar panela, forno, faca. Sou desastrado, derrubo tudo, não consigo deixar um mísero cubo de abóbora igual ao outro. Doces, nem pensar - fica parecendo obra da Bienal. Fora esquecer de salgar, temperar, pôr isso ou aquilo.

Resultado: não sou nada disso que mencionei três parágrafos atrás e também não sou um bom cozinheiro. Só descobri algo que gosto muito de fazer - como nada mais nesta terra - e queria não esquecer do que "inventei", aspas redobradas, já que provavelmente coisas muito parecidas devem estar em algum canto do mundo. Além disso, já que Borges é muito melhor que eu e sobra gente pensando nestes tempos, por que não dividir um humilde compilado de receitas?

Resolve qualquer tristeza, angústia, melancolia, depressão. As minhas, pelo menos, foram resolvidas assim.