4.12.08

Aqui começam nossos problemas

Preciso escrever algo sobre qualquer coisa.

É geralmente dessa vontade, recorrente e aleatória, que eu acesso este blog para tentar falar algo. Aí fico pensando, pensando e me dá sono. Até a próxima vez que isso acontece e eu venho aqui de novo.

E falar o quê, né? Já não estou falando por aí o tempo todo, tendo ou não assunto? Conto tantas histórias, dou tantas opiniões, rejeito tantas outras que já não faço idéia do que falei para quem. Ou quem me falou o quê. A memória é uma coisa triste, assim, que deveria ficar melhor ao longo do tempo para acompanhar o aumento da quantidade de coisas para armazenar - e, ao contrário, vai ficando cada vez pior.

Mas será que vale a pena ter tanta memória? Nossa lembrança é a interpretação que fazemos do presente...A realidade, toda complexa, posta numa narrativa simples e unilateral. Por natureza enviesada.

Sei lá se vale. Só que tem sua graça, é verdade. Nossa própria ficção, escrita momento após momento, como resumo de nossos valores, opiniões, neuras e demais pendengas psicossociais apertando e sovando as experiências. E tudo vira um filme (ou livro, peça, o que preferir).

Só não gosto quando esse filme vai se apagando, perdendo partes. Mas, bem pior que isso: quando precisamos inserir trechos pela imaginação. Nestes dias, por exemplo, uma amiga das antigas se casou. Eu não pude estar lá, porém, como o evento é importante, precisei inclui-lo nas minhas memórias. Não sei se todo mundo é assim - em situações dessas, crio toda a cena na minha cabeça, ela de noiva meio nervosa meio contente, o noivo com cara de bunda, os parentes se sentindo numa novela das oito. E a coisa romântica toda rolando no momento singular. Eita! E as comidas...Me imagino comendo tudo, hahahaha, que com certeza é o que faria.

Olha aí a cara da noiva...Me ajudou bastante a configurar o trecho do filme que faltou. Um dia eu vejo mais fotos e descubro que foi totalmente diferente do que tenho em minha memória. Só que nem por isso um vai ser mais verdade que o outro. Já que nenhum é verdade de verdade. Ih, que complicado...